ITI Review

Quem impulsiona a inovação: a tecnologia ou as pessoas?

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19

08

2020

Um Webinar promovido pelo MBA em Informação, Tecnologia e Inovação para Negócios, ITI UFSCar, reuniu especialistas em gestão de pessoas que atuam em campos distintos –um no meio acadêmico, outro no meio empresarial e o terceiro em soluções voltadas para administração pública–, que foram categóricos quanto à provocação contida no título deste artigo. Para eles, tecnologia é um meio e, como tal, é incapaz de conduzir à inovação sem o amparo de uma equipe imbuída de um sentido de pertencimento, unida por um propósito comum, dentro de um ambiente colaborativo.

Nesse contexto, a gestão de pessoas dentro de uma organização assume um papel fundamental na condução de um processo inovador que seja parte de um ciclo perene.

"É a era da gestão de pessoas", afirmou Alex Bertoldi, psicólogo que atua na área de estruturação e desenvolvimento organizacional e na formação de gestores.

Alex Bertoldi, Docente no ITI MBA Consultor Bertoldi & Nagao

Bertoldi participou do Webinar, aberto aos atuais alunos, aos alunos futuros e à comunidade em geral, na última quarta-feira (12), ao lado de Roniberto do Amaral, docente da UFSCar que atua na área de gestão de pessoas por competências e com abordagem em rede, e Hevandro Ferreira, sócio-diretor do Grupo Assessor, empresa que desenvolve soluções para a administração pública.

Amaral e Bertoldi são docentes no módulo Gestão Disruptiva de Pessoas do ITI UFSCar, curso que prima pela promoção da comunhão entre o mercado e a academia.

“Vou criar uma discórdia aqui, mas a tecnologia hoje não é determinante em nenhum dos negócios. Ela não é um fim, mas um meio de você realizar algumas entregas”, afirmou Ferreira, criticando a noção disseminada de que inovar significa criar aplicativos.

“Muitas vezes quando você vai a um cliente, ele precisa mais de pessoas que discutam caminhos e decisões que ele possa seguir para seu negócio do que qual tecnologia eu posso usar e qual tecnologia eu não vou usar”, completou.

Bertoldi concorda. Para ele, a gestão de pessoas ainda é uma pauta nova nas organizações.

“As empresas ainda têm uma forte ênfase na tecnologia, no uso técnico, no método. Não que o método não seja importante, mas é um complemento ao processo de gestão”, afirma o consultor.

Ele se valeu de um exemplo da área de Ferreira para explicar sua visão, citando a necessidade de a administração pública oferecer serviços mais eficientes.

 “Como transpor essa dor do munícipe para uma oportunidade de negócio, um modelo de inovação e trazer uma solução que realmente que torne a vida das pessoas melhores?”, questionou.

 “Não adianta nada uma organização fazer um investimento massivo em elementos tecnológicos se não consegue traduzir esses investimentos e essas iniciativas em aspectos que melhorem concretamente a vida das pessoas.  E a  sustentabilidade do negócio vai depender dessa capacidade.”

Hevandro Ferreira, Diretor e Sócio no Grupo Assessor

Ferreira aproveitou a deixa.  “Olho muito a inovação como um processos de transformação do negócio do seu cliente, do seu mercado”, disse

 “Falando da área pública, você tem processos que são tidos como de longa data e que se tornam burocráticos ao longo do tempo”, exemplificou. "Como mudar esses procedimentos? Não adianta eu entregar uma tecnologia, uma solução, uma plataforma, se eu não revejo os processos, os negócios, as dores desse cliente e assim por diante.”

Roniberto Morato do Amaral, Docente no ITI MBA e DCI UFSCar

 Para os três especialistas, existe um hiato entre as competências individuais dos membros de uma organização, as capacidades técnicas e/ou tecnológicas dessa organização, e a capacidade de realizar as entregas necessárias.

 Nesse sentido, Amaral propõe o modelo de gestão de pessoas por competências como um modelo estratégico que, aliado à abordagem da organização em rede, pode vir a propiciar uma nova quebra de paradigma na gestão de pessoas.

 “As competências são um conceito bacana para você fazer a leitura do ambiente e ver sua capabilidade para enfrentar os desafios das contingências que vão sendo colocadas para a organização”, afirma. “São combinações sinérgicas entre conhecimento, habilidade e atitude.”

 A partir das competências individuais e organizacionais, a organização pode elaborar sua estratégia competitiva.

 Ele lembra que a pessoa, na organização, não é competente sozinha, mas o é dentro de uma equipe e dentro de determinado contexto.  “O indivíduo é competente ao combinar seu conjunto de suas habilidades e atitudes com o que a organização oferece, o que a equipe oferece e a capacidade de colocar isso em prol da organização na busca de soluções.”

A abordagem em rede, por sua vez, permite ao gestor identificar como se estruturam informalmente os fluxos de informação e as trocas entre os indivíduos dentro da organização, a partir do uso de métricas e da captação de informações.

 “É possível verificar quem são as pessoas que detêm o conhecimento, as que precisam do conhecimento e aquelas que poderiam potencializar a mudança ou vir a dificultá-la”, explica.

 E então ele volta ao ponto onde começamos.“Na organização, quem inova são as pessoas. O importante é buscar o engajamento dessas pessoas, e isso só virá se as coisas fizerem sentido para elas. O gestor deve ter essa preocupação o tempo todo.”

 “Por que é necessário esse comprometimento do indivíduo com a organização, esse engajamento? Porque as soluções hoje não têm uma previsibilidade. O fator mudança é muito forte. O trabalhador tem que ter internalizado o objetivo da organização e uma noção de serviço muito grande, ou seja, o trabalho dele acaba influenciando o do próximo, e o resultado da organização é essa sinergia entre as pessoas.”

 Para Bertoldi, aí está o grande desafio. “A capacidade de criar um ambiente que favoreça a colaboração, dar sentido ao processo de trabalho e articular capacidades em ações e iniciativas que vão melhorar a vida das pessoas é a grande barreira.” 

Assista à íntegra da discussão aqui:

Jornalista responsável: Carolina Vila-Nova

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